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18-05-2010
Centenário da República com Banda Desenhada
A 9ª Arte irá estar presente nas comemorações do centenário da República. Exposições de banda desenhada, reedições, animação infantil, colóquio e os concursos do Amadora BD, fazem parte da programação nacional de bd no âmbito das Comemorações do Centenário da República.
Esta programação decorrerá até Agosto de 2011.
Quanto à exposição - A Primeira República na Génese da Banda Desenhada e no Olhar do Século XXI - , patente no Centro Nacional de BD e Imagem, enquadra-se nos três objectivos orientadores do programa das comemorações: a evocação do republicanismo, os acontecimentos e seus protagonistas naquela que é hoje a cidade da Amadora; a investigação histórica sobre as expressões culturais e estéticas do primeiro quartel do século XX - caricatura, banda desenhada e cinema de animação; e os ideais republicanos através do olhar dos autores de BD contemporâneos.
Tal como está concebida, desdobra-se em três formatos de apresentação pública. O primeiro, entre 2 de Junho e 5 de Outubro no CNBDI. Numa segunda fase, entre 22 de Outubro e 7 de Novembro, constitui-se como a exposição central do 21º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora – Amadora BD.
Existirá, ainda, um terceiro momento, a partir de Setembro de 2010 e até Agosto de 2011, em que estará disponível para itinerar e percorrer todo o território nacional.
A mostra não seria possível sem o apoio das seguintes instituições e coleccionadores: Bedeteca de Lisboa/CM Lisboa, Biblioteca Nacional, Biblioteca Pública Municipal do Porto/CM Porto, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Casa Museu Leal da Câmara/CM Sintra, Museu da Presidência da República, Humorgrafe, Carlos Gonçalves, Leandro Morais Sarmento, Paulo Trancoso e Emílio Rincon Peres.
Esta exposição apresenta cinco temas fundamentais:
A 1ª República e a Amadora, por João Castela Cravo
A Amadora é uma cidade construída pelo comboio e desenvolvida por ideias inovadoras, em grande parte só possíveis de levar à prática pela revolução republicana de 1910.
Marcada pela actividade da Liga de Melhoramentos, a Amadora iniciou um percurso, de raiz quase utópica, tendo o seu período de maior desenvolvimento durante a Primeira República, de tal forma que, em 1922, no jornal “A Venteira” se fazia a primeira referência a um Concelho da Amadora. As Festas da Árvore, os Recreios Desportivos, o Aeródromo e o Grupo de Esquadrilhas de Aviação República são marcos desse desenvolvimento.
A Caricatura Modernista e a 1ª República, por Osvaldo de Sousa
O republicanismo foi um dos motores da caricatura de imprensa no princípio do século. No cartoonismo, os modernistas liderados por Christiano Cruz, Almada Negreiros, Emmérico Nunes, Stuart Carvalhais, Leal da Câmara e Hipólito Colombo pretenderam criar uma nova era do humorismo. A nova sátira social leva também a que se abra um novo caminho no desenvolvimento da vinheta que encaminhará a caricatura para a narrativa gráfica que depois se transformará em banda desenhada.
O Primeiro Filme de Animação Português, por Paulo Cambraia
O nascimento do primeiro filme de animação português na Primeira República. "O Pesadelo do António Maria", produzido e realizado por Joaquim Guerreiro, integrado num quadro de revista “Tiro ao Alvo”, é uma caricatura animada do então Primeiro Ministro António Maria da Silva.
A Génese da Moderna Banda Desenhada Portuguesa, por João Paulo de Paiva Boléo
O nascimento de uma banda desenhada de qualidade e mais narrativa, mesmo em termos europeus, com Stuart Carvalhais, Carlos Botelho e Cottinelli Telmo.
A banda desenhada dos jornais - ABC-zinho (2 séries), O Século, Século Cómico, A Montanha, O Thalassa, entre outros – e nos suplementos infantis que surgem por volta de 1925 - Noticias Miudinho e Pim! Pam! Pum!
A 1ª República na Banda Desenhada Portuguesa Contemporânea, de João Paulo de Paiva Boléo
Uma viagem pelas obras originais de: Artur Correia, Augusto Trigo, Filipe Abranches, José Garcês, e José Ruy, entre outros.
No âmbito desta exposição, o CNBDI promove visitas guiadas, pelos comissários do vários núcleos da mostra. Organizou, ainda, um conjunto de animações para um público mais juvenil.
"Parabéns República", é o nome do espectáculo dedicado ao 1º ciclo do ensino básico onde as crianças têm um papel activo enquanto protagonistas da acção, com intervenções ao nível da leitura de pequenos textos.
O ilustrador Pedro leitão redesenha algumas das caricaturas criadas pelo mestre Leal da Câmara, como o polícia e o ardina, interpretados pelos actores Paulo Lages e Filipe Leitão. Através destas personagens - a que se junta o próprio Leal da Câmara, no caso Pedro Leitão, trajando como o diabo-bobo representado no seu ex-libris - é percorrido um itinerário histórico desde o rei D. Carlos à implantação da República.
Esta animação será, igualmente, realizada no Festival Internacional de BD.
O programa nacional de banda desenhada contempla, ainda, a reedição integral da obra de Stuart Carvalhais - Quim e Manecas - parte integrante de O Século Cómico entre os anos de 1915 a 1918, da autoria do investigador João Paulo de Paiva Boléo.
A obra de Stuart que não só revoluciona a banda desenhada portuguesa como a coloca na vanguarda da BD europeia está profundamente imbuída de um espírito republicano. O Quim e o Manecas são republicanos, apoiam o Afonso Costa e a 1ª Grande Guerra Mundial que, num registo pueril de peripécias, ajudam os Aliados a vencer.
O Quim e Manecas é, de facto, a mais importante banda desenhada da Primeira República. Tal é devido não só à originalidade e sedução literária, a cargo de Acácio de Paiva mas, sobretudo, à qualidade plástica e espírito criativo de Stuart Carvalhais. Já naquela época Stuart adoptou recursos, designadamente os balões, que só mais tarde seriam utilizados regularmente na Europa, passando a fazer parte da linguagem da banda desenhada.
Outra nota importante: O Quim e o Manecas, dois miúdos da Lisboa que Stuart conheceu foram, quase cem anos mais tarde, redesenhados por Richard Câmara que tão bem lhes soube preservar a identidade e dimensão criativa, e captar o seu carácter impertinente, inventivo e apelativo.
Por isso, o Quim e o Manecas e as aventuras que protagonizaram com uma enorme liberdade criativa, tanto do ponto de vista narrativo como gráfico, aí estão de novo e com uma nova missão, pois eles são, agora, os anfitriões das Comemorações Nacionais do Centenário da República.
Por fim, a edição de um novo álbum de banda desenhada portuguesa, neste caso sobre a Primeira República.
"É de Noite que Faço as Perguntas" é o titulo desta história, com argumento de David Soares e desenhado por Richard Câmara, André Coelho, Daniel Silvestre, João Maio Pinto e Jorge Coelho, sobre a Primeira República, narrada na linguagem da banda desenhada. A narrativa ficcionada seguirá com rigor a história e cronologia republicanas, iniciando-se no final do século XIX, em 1891, com o Ultimato Inglês, e cessando com o Golpe Militar do 28 de Maio de 1926.
Este livro será editado pela Gradiva e pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.
Os diversos níveis de trabalho envolvidos na produção do álbum "É de Noite que Faço as Perguntas" serão objecto de uma exposição no Amadora BD composta na sua essência pela pesquisa iconográfica e documental realizada por David Soares (jornais, livros, revistas e fotografias), o seu argumento e guião, planificação e layout, definição das fontes e do tipo de legendagem e que inclui, naturalmente, os esboços, as pranchas e as ilustrações originais dos desenhadores.
Além da obra impressa será possível aos apreciadores de banda desenhada, e ao público em geral, conhecer por dentro a pesquisa, os desafios e os limites na produção de um álbum desta natureza.
Para a concretização desta programação, a Câmara Municipal da Amadora e a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (CNCCR) assinaram, no dia 18 de Maio, um protocolo de colaboração.
Para Joaquim Raposo, presidente da Autarquia, este protocolo é o “reconhecimento do papel que a Amadora tem tido no desenvolvimento da BD”. Ainda segundo o edil, as actividades programadas permitem, sobretudo, “chegar junto do público mais novo e explicar-lhes a importância dos valores da República”.
Antes da apresentação da programação, que contou com a presença dos artistas e dos investigadores convidados a participar no projecto, o presidente da CNCCR, Artur Santos Silva, destacou a importância do contributo de escolas, instituições e, principalmente, das autarquias, no desenvolvimento das comemorações que permitem “revisitar os ideais republicanos”. “A Amadora teve um papel fulcral no desenvolvimento dos acontecimentos da primeira república”, disse, não esquecendo que “a caricatura e a BD coincidiram na sua génese com esta época”.
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