Exposições

André Diniz e Marcello Quintanilha: visões brasileiras

NÚCLEO CENTRAL | SKI SKATE AMADORA PARK

Prolífico argumentista e ilustrador brasileiro de Banda Desenhada, André Diniz (Rio de Janeiro, 1975) é destacado nesta exposição pelo seu trabalho enquanto autor completo (argumento e desenho). Fervoroso adepto do digital, há muito que Diniz deixou de usar lápis e borracha, introduzindo as novas tecnologias no seu dia-a-dia e procurando extrair delas as suas máximas potencialidades. O seu olhar atento a temas, recentes ou não, do quotidiano e da História do seu país originaram trabalhos como “Morro da favela”, ou a vida de Maurício Hora e do seu pai, numa favela carioca; “Entre cegos e invisíveis”, ou a subtil abordagem ao período da ditadura militar; “Malditos amigos”, ou os problemas depressivos de Ramsés por entre o caos urbano e as exigências da vida moderna de uma megalópole como S. Paulo e; “Matei o meu pai e foi estranho”, ou como Zaqueu, nascido albino e artista, procura encontrar o seu lugar numa voraz S. Paulo. E depois surge “A revolta da vacina”, o seu novel trabalho, com tantos pontos em comum com a pandemia da COVID-19. Aqui, o personagem principal, Zelito, ruma ao Rio de Janeiro para seguir o seu sonho e tornar-se ilustrador num jornal de referência, mas vê-se no meio de um verdadeiro motim popular (a Revolta da Vacina, 1904) cujo pretexto foi uma lei que determinava a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola e que exigia comprovativos de vacinação para a efectivação de matrículas nas escolas, para a obtenção de empregos, realização de viagens, hospedagens e casamentos. Munido de uma paleta de cores fortes e do seu estilo único de construir diálogos, Marcello Quintanilha (Niterói, 1971) envolve-nos em “Escuta, formosa Márcia”, o seu mais recente trabalho, num emocionante suspense familiar, surpreendente e inequivocamente brasileiro. Mãe solteira, nascida e criada numa comunidade do Estado do Rio de Janeiro, a enfermeira Márcia vem travando uma verdadeira batalha doméstica para disciplinar a filha, a insubordinada Jaqueline, que se envolve com o crime organizado. Seja preto e branco ou a cores, fruto de opções estéticas, os trabalhos de Diniz e Quintanilha unem-se num ponto comum: a brasilidade. E é também por isto, ou sobretudo por isto, que ultrapassam fronteiras e se encontram publicados um pouco por toda a Europa, quais embaixadores da cultura do seu país.

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