Exposições
Dylan Dog: 40 Anos Do Investigador Do Pesadelo
NÚCLEO CENTRAL
Créditos
Fábio Celoni
Criado por Tiziano Sclavi em 1986, Dylan Dog revolucionou a banda desenhada de terror italiana, tornando-se um verdadeiro ícone da cultura pop. O “Investigador do Pesadelo” redefiniu o género do terror ao misturar horror clássico, introspecção psicológica e crítica social, conquistando gerações de leitores. Mais do que enfrentar monstros, Dylan enfrenta as fragilidades humanas — o medo, a solidão, a loucura — tornando cada história surpreendentemente próxima da realidade. Aos 40 anos, Dylan Dog não é apenas um ícone nostálgico: continua a abrir portas para novos leitores e a provar que os pesadelos, quando bem contados, nunca envelhecem.
Esta exposição segue a evolução histórica da personagem através dos trabalhos originais de alguns dos seus desenhadores mais relevantes, mostrando as diferentes faces de uma personagem que ao longo de 40 anos já viveu milhares de aventuras, algumas das quais os leitores portugueses têm tido oportunidade de descobrir na última década.
Tiziano Sclavi
Nascido em 1953, Tiziano Sclavi desde cedo mostrou ser um escritor precoce. Ganhou um prémio literário aos dezanove anos, mas esse reconhecimento oficial do seu talento não lhe serviu de muito, pois, como refere, “o público recebeu os meus livros com uma indiferença entusiástica”, o que o obrigou a trabalhar como jornalista, revisor e argumentista de BD para poder sobreviver.
É precisamente como argumentista de fumetti que Sclavi vai iniciar uma colaboração com a editora Bonelli. Sclavi irá assinar argumentos para outras séries da editora, antes de criar finalmente Dylan Dog, abrindo assim as portas do sucesso com o carismático detective do paranormal, cujas virtudes são gabadas até por Umberto Eco.
Se Dylan Dog é um herói fascinante, Tiziano Sclavi, o seu criador, não o é menos. Personagem torturada, afectada por depressões e bloqueios criativos que o levaram mesmo a tentar o suicídio, Sclavi é uma figura envolta numa aura de mistério. Mistério para o qual muito contribuiu o facto de quase não aparecer em público, raramente dar entrevistas, e muito menos se deixar fotografar. Numa dessas raras entrevistas, ficou célebre a resposta que deu quando lhe perguntaram se se identificava com Dylan Dog: “Nem com Dylan, nem com Groucho” disse, “eu sou os monstros”.
Comissário
João Lameiras
