Exposições
80 Anos de Lucky Luke: O sol nunca se põe realmente
NÚCLEO CENTRAL
Créditos
© Morris Comics
Oitenta anos depois do primeiro tiro disparado nas páginas do Spirou, esta exposição revisita Lucky Luke pela mão do seu criador, Morris, e de quem lhe deu continuidade. Percorremos o traço e o percurso do autor belga, a construção de um Oeste onde as mulheres ocupam um lugar de força e determinação raramente reconhecido, e os choques culturais que a série retrata com uma lucidez que ultrapassa a comédia. Seguimos depois o legado até Achdé, que assumiu o desafio de manter viva uma obra com oito décadas, e encerramos com um conjunto de homenagens assinadas por Matthieu Bonhomme, Blutch, Mawil e Ralf König, além da contribuição portuguesa de André F. Morgado e Joana Afonso para a antologia europeia dedicada ao cowboy. Um percurso que celebra Lucky Luke através do olhar de quem o criou e de quem continua a reinventá-lo.
Morris:
Maurice De Bevere, conhecido como Morris, nasceu em Courtrai a 1 de dezembro de 1923 e viria a tornar-se um dos fundadores da banda desenhada europeia. Formou-se em Direito, mas encaminhou-se para o desenho ao estudar animação com Jean Image, cruzando-se depois com nomes como Franquin, Peyo e Jijé. Em 1946 criou Lucky Luke, o cowboy solitário que tão bem conhecemos, juntando-se ao fiel Jolly Jumper e ao cão Rantanplan, e cuja primeira aventura surgiu no Almanach Spirou de 1947. Entre 1948 e 1955 viajou pelos Estados Unidos, período em que conheceu René Goscinny, parceria que definiria décadas de sucesso da série até à morte do argumentista em 1977. Morris recebeu diversas distinções ao longo da carreira — incluindo o grande prémio de Angoulême em 1992 e o título de oficial da Ordem das Artes e das Letras em 1998 — e morreu em Bruxelas a 16 de julho de 2001, aos 77 anos.
Achdé:
Hervé Darmenton, conhecido por Achdé, nasceu a 30 de julho de 1961 em Lyon, numa família repatriada de Marrocos. Antes de se dedicar à banda desenhada, formou-se em radiologia e trabalhou como técnico de radioterapia em Montpellier e Nîmes, abandonando essa carreira em 1985 para se dedicar ao desenho. Estreou-se em 1988 com o álbum autoeditado Destins Croisés e assinou o primeiro contrato com a Dargaud em 1991, criando séries como C.R.S. = Détresse e Woker. Em 2002, na sequência da morte de Morris, foi convidado a assumir o desenho de Lucky Luke, fiel ao traço do criador original, publicando o primeiro álbum, Le Cuisinier français, em 2003. Desde então já desenhou várias dezenas de novas aventuras da série, traduzidas em mais de 16 línguas.
André F. Morgado:
André F. Morgado é argumentista, editor, professor e tradutor, fundador do selo Bicho Carpinteiro e cofundador d'A Seita, com obra distinguida por prémios nacionais e internacionais, incluindo o Jabuti e o HQMix, no Brasil. É autor de "A Vida Oculta de Fernando Pessoa", um dos maiores sucessos da BD portuguesa contemporânea, de "O Infeliz Pacto de George Walden" (Prémio Vinheta 2020 de Melhor Argumento Português) e de "A Aventura do Sapo — Caos e Coaxos" (2025, desenho de Kachisou). Assinou ainda quatro títulos da coleção Clássicos da Literatura Portuguesa (Levoir/RTP) e, na literatura infantil, "O Triste Monstro da Caixa" e "Fernando Pessoa – O Menino que Sonhava". Junto com Joana Afonso, contribuiu com uma história para a antologia europeia dedicada aos 80 anos de Lucky Luke.
Joana Afonso:
Joana Afonso nasceu em 1989 e é uma das mais aclamadas autoras de banda desenhada portuguesa, licenciada em Pintura e doutorada em Desenho pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, onde leciona desde 2013. Estreou-se com o álbum "O Baile" (2012, argumento de Nuno Duarte), vencedor de Melhor Álbum no Amadora BD 2013, e editou depois "Deixa-me Entrar" a solo. Integrou o coletivo The Lisbon Studio, assinou a série "Living Will" e o álbum "Zahna", e venceu o prémio de Melhor Fanzine/Edição de Autor em 2021 com "O Bestiário da Isa", concluído em 2022. Mais recentemente ilustrou dois álbuns da coleção Clássicos da Literatura Portuguesa da Levoir, "A Mais Breve História da Rússia" e um álbum sobre a prisão de Caxias, além de assinar uma história de Lucky Luke, em conjunto com o argumentista André F. Morgado, numa antologia europeia dedicada ao cowboy.
Comissário
Miguel Peres
