Exposições
Quarteto Fantástico: a família que criou a Marvel
NÚCLEO CENTRAL
Créditos
Jack Kirby
1961. Jack Kirby e Stan Lee eram ainda relativamente desconhecidos do grande público, embora já tivessem percurso no mundo da banda desenhada. Kirby tinha criado, na década de 1940, o Capitão América; Lee, por sua vez, era um argumentista com um currículo discreto, mas diversificado. Tudo mudaria com a publicação de Fantastic Four #1, datada de novembro de 1961. Nessa revista, ambos não se limitaram a criar quatro super-heróis: deram início ao universo da Marvel moderna, um mundo ficcional que hoje é sinónimo de entretenimento, fantasia e imaginação.
Segundo a lenda, tudo começou durante uma conversa, num jogo de golfe, entre dois editores: um da Marvel e outro da DC. O editor da DC terá mencionado o enorme sucesso comercial da Liga da Justiça da América. Como nenhuma boa ideia parece destinada a existir sozinha, o editor da Marvel pediu então aos seus criadores que imaginassem algo semelhante e (claro) igualmente rentável. Desse pedido nasceu o Quarteto Fantástico, composto por: Sr. Fantástico, de nome Reed Richards, génio científico com o poder de tornar o seu corpo elástico; a Mulher-Invisível (na altura ainda rapariga), Sue Storm, noiva de Reed e capaz de, obviamente, ficar invisível; o Tocha Humana, Johnny Storm, irmão de Sue, com o poder de se incendiar, controlar o fogo e voar; e o Coisa, Ben Grimm, o melhor amigo de Reed, que o acidente que deu poderes a todos transformou num monstro feito de pedra e munido de força sobre-humana.
O que poderia ser uma simples imitação dos heróis quase divinos da DC Comics, graças à personalidade e sensibilidade de Kirby e Lee, tornou-se em algo revolucionário. O Quarteto era também sobre as personalidades profundamente humanas de cada um dos membros. De fora, ficavam as, por vezes, unidimensionais personalidades das personagens da DC Comics. O Quarteto eram, em primeiro lugar, uma família e só depois exploradores dos mistérios do desconhecido, uma mistura entre super-heróis e ficção científica. Nenhum conceito era suficientemente grande e estranho para ser explorado. Do macrocosmo ao microcosmo, muitas vezes incentivados pelo espírito científico de Reed Richards, a primeira família da Marvel saltava para o abismo do desconhecido sem pensar duas vezes.
Da imaginação desregrada de Kirby e Lee saíram alguns dos mais delirantes conceitos e personagens e, claro, supervilões, não só da Marvel como da cultura pop. O Dr. Destino, o maior adversário do Quarteto, e que será o vilão central do próximo filme dos Vingadores, é apenas o mais conhecido e um dos mais inspirados. Mas não é o único. Da BD que foi hiperbolicamente apelidada de The World’s Greatest Comic Magazine, saltaram o Pantera Negra, os Inumanos, Galactus, o Surfista Prateado, entre tantos, tantos outros.
Com esta exposição exploramos, com originais fabulosos, os 65 anos de histórias do Quarteto Fantástico, dialogando com a arte dos seus maiores criadores, sejam eles do passado, sejam do ainda brilhante presente.
Bem-vindos ao desconhecido! Explorem-no e maravilhem-se!
Comissário
José Pedro Castello Branco
